Doutor em Química Teórica e Computacional pela Universidade da Califórnia, Irvine.
Slytherin (HP), Lannister/Tyrell (GoT), Asha’man (WoT), cidadão de nível 1 de Magnostat (Magi). Black Mage + Summon...
(mais)Carregando...O pôr do sol mais legal que eu já vi foi em 2016, em uma viagem que fiz a Sierra Nevada para fazer trekking/hiking na famosa Pacific Crest Trail (PCT). Meus amigos e eu não conseguimos encontrar um...
(mais)Carregando...O pôr do sol mais legal que eu já vi foi em 2016, em uma viagem que fiz a Sierra Nevada para fazer trekking/hiking na famosa Pacific Crest Trail (PCT). Meus amigos e eu não conseguimos encontrar um lugar para acampar nas áreas reservadas para acampamento, logo resolvemos ser heterodoxos e fomos para as margens de um lago próximo, Crowley Lake. O pôr do sol que vimos foi este aqui (fotografado por mim):
No horizonte você pode ver o sol e as montanhas da Sierra Nevada. A montanha logo abaixo do sol é a Mammoth Mountain, um vulcão extinto que hoje tem uma estação de esqui muito famosa.
Em termos práticos não muda nada: não é por que Boris Johnson é um político de Direita que ele se alinhará automaticamente ao insignificante governo brasileiro atual. Boris Johnson pode parecer um ...
(mais)Carregando...Em termos práticos não muda nada: não é por que Boris Johnson é um político de Direita que ele se alinhará automaticamente ao insignificante governo brasileiro atual. Boris Johnson pode parecer um palhaço, mas de palhaço só tem o cabelo bagunçado: qualquer pessoa que conheça um pouco da trajetória dele sabe o que ele é capaz de fazer.
Johnson é de família aristocrática; estudou no Eton College e no Balliol College em Oxford, duas instituições de elite. Boris Johnson é formado em Classics — História, Literatura e Filosofia Greco-Romana — e escreveu alguns livros, inclusive uma biografia de Winston Churchill. Foi do Bullingdon Club e sempre foi muito ambicioso. No governo — pelo que parece segundo seu discurso de vitória — tentará trazer de volta a imagem de sucesso como Prefeito de Londres. Como biógrafo de Churchill, Boris emula muito bem a personalidade do “Pai da Europa” e conseguiu fazer o eleitorado britânico votar em um partido que está há mais de dez anos no poder, como se fosse um novo partido. Bolsonaro não tem um milésimo da cultura e da inteligência interpessoal de Johnson. Dificilmente ali se forma uma relação mais profunda do que as banalidades diplomáticas.
O aprendizado que fica é para a Esquerda. Jeremy Corbyn tentou radicalizar a agenda, mas o público britânico o rejeitou, mesmo em distritos favoráveis a UE. A atitude do Partido Trabalhista também não ajudou: cada vez que alguém de Esquerda discordava de Corbyn, a militância — simbolizada pelo grupo “Momentum” — desqualificava a pessoa, chamando-a de Red Tory e coisas piores. Tudo isso é exatamente o que a esquerda tem feito; apostando na polarização e chamando o centro liberal e o centro “isentão” de fascista. Se Sua Lulidade continuar com essa má atitude e com essa radicalização, a Esquerda brasileira vai continuar no limbo por muito, muito tempo. Não quer comprometer a agenda? Tudo bem, pelo menos respeite quem pode te ajudar.
Até certo ponto, nunca precisou. A Inglaterra sempre teve uma aristocracia razoavelmente fraca desde 1066, quando Guilherme subiu ao trono e centralizou o poder, mesmo com os limites impostos pela ...
(mais)Carregando...Até certo ponto, nunca precisou. A Inglaterra sempre teve uma aristocracia razoavelmente fraca desde 1066, quando Guilherme subiu ao trono e centralizou o poder, mesmo com os limites impostos pela Magna Carta em seus descendentes. Os ingleses também tinham uma tradição antiga de direitos para as pessoas comuns, onde homens comuns (ricos, donos de terra) tinham voz no governo desde o estabelecimento da Câmara das Comunidades (House of Commons) ao final do século XIII. Foi relativamente fácil para a economia de mercado inglesa ganhar velocidade durante o fim da Idade Média e início da Era Moderna a medida que os restos do sistema feudal desapareciam.
Dito isso, houve sim uma revolução. A Guerra Civil Inglesa colocou um parlamento não-tão-aristocrático contra o rei e uma facção bastante aristocrática, e os royalists perderam. A nobreza que sobreviveu teve que se adaptar ao novo modus operandi e a Coroa, quando a monarquia retornou, passou a agir com muitas restrições. Os monarcas ingleses frequentemente eram sujeitos às reclamações políticas de seus súditos, e sem o absolutismo que prevalecia na França, eles perderam o poder sem criar a necessidade de sua remoção completa.
Essa é uma pergunta muito boa que só pode ser respondida com: não muita garantia.
Precisamos reconhecer as diferenças entre diferentes tipos de empréstimos, mas uma observação geral que precisamos f...
(mais)Carregando...Essa é uma pergunta muito boa que só pode ser respondida com: não muita garantia.
Precisamos reconhecer as diferenças entre diferentes tipos de empréstimos, mas uma observação geral que precisamos fazer é que o pagamento de dívidas externas muitas vezes demorava.
Um dos problemas que monarcas enfrentavam é que o dinheiro emprestado normalmente tinha um caráter mais pessoal do que teria se fosse um empréstimo ao Estado. Monarcas ingleses decretavam moratória da dívida pública como se fosse uma dívida pessoal até o século XVII. Isso era feito para contornar o parlamento, que normalmente exigia mais poderes em troca do consentimento para contrair dívidas ou aumentar os impostos. Banking Collapse in London (1676) as Charles II Defaults on Royal Loans - Stop of the Exchequer - Wikipedia
Reis mais antigos, como Edward III, tomavam dinheiro emprestado de famílias banqueira como a Compagnia dei Bardi e os Peruzzi. Edward tomou emprestado 225 mil libras enquanto a receita real tendia a ser menor que 100 mil libras por ano. Não crendo estar endividado o suficiente, Edward III contraiu dívidas colossais de até 400 mil libras tomando dinheiro emprestado nos Países Baixos, Bruges, Cologne e em todos os locais por onde passou. A garantia imediata era o mercado de lã inglês. Durante sua estadia nos Países Baixos, ele também fez seus condes o darem dinheiro e deu seu próprio cavalo de guerra como garantia para um empréstimo de 45 libras. "Um empréstimo! Um empréstimo! Meu cavalo por um empréstimo!" — menos Shakespeareano que Richard III.
A coroa da Inglaterra foi penhorada primeiramente para italianos e depois para um senhor chamado Simon van Halen (um estadista flamengo e presumivelmente uma estrela do Rock). A famosa família la Pole também se distinguiu ao se tornar uma das maiores financiadoras do rei da Inglaterra nesse período.
As finanças do estado inglês eram bem saudáveis na época e a coroa foi bem-sucedida pagando os empréstimos, juros e eventualmente o principal. Acredita?
Hahahaha…
Não mesmo!
Tendo uma dívida mais de seis vezes a receita real anual com taxas de juro entre 15% e 40% foi muito além do que Edward III conseguia lidar. As exportações inglesas de lã a preços aquém do mercado fizeram os preços despencarem, significando que toda a lã dada aos bancos italianos foi vendida mais barata do que o esperado. Os bancos, já em situação frágil, não se recuperaram jamais da falência de Edward III. Os financiadores nos Países Baixos sofreram menos porque seus empréstimos foram menores e razoavelmente bem assegurados por bens físicos, direitos a cobrar taxas na aduana, e até mesmo renda das propriedades reais. De fato, esses pequenos financiadores não só conseguiram recuperar seus principais, mas como também foram pagos grande parte dos juros que Edward havia se comprometido a pagar (Financial Resources of Edward III in the Netherlands, 1337-40 (2nd part)) .
Entretanto, nem tudo era maravilhoso quando outros monarcas, como o Rei da França, outros grand seigneurs e mesmo o governo de Florença estavam cada vez menos capazes de pagar suas dívidas. Eles simplesmente declaravam que não pagariam mais. Em 1343, clientes enraivecidos invadiram os palácios dos Bardi e dos Peruzzi exigindo seu dinheiro de volta. Moratórias e falência se seguiram. Os bancos florentinos possuíam muitos depósitos de florentinos ricos e outros italianos. A falência desses dois bancos atingiu a Classe Alta, o mundo dos negócios e setores da economia tanto quanto a crise de 2008 atingiu os atingiu recentemente.
A crise de 1343 pode ter sido a primeira na história, mas seu choque não pôs fim às dívidas soberanas. Nos séculos seguintes, elas cresceram ao ponto de que instituições foram criadas para administrá-las. Em retrospecto, essas instituições foram algo incrivelmente fortuito; uma vantagem para os Estados europeus em comparação aos seus equivalentes na China, Índia e no Oriente Médio.
Na Europa, cidades foram as primeiras entidades capazes de administrar suas dívidas. Em 1280, Bruges já possuía uma dívida interna cerca de 6 vezes sua receita anual mas, ao invés de estar eternamente em crise, a cidade se tornou o centro comercial e financeiro ao norte dos Alpes. Cidades com autonomia fiscal foram algumas das primeiras entidades a adquirir uma forma de personalidade legal que as permitia ter dívidas de longo prazo enquanto mantinham uma boa nota de crédito.
Ao invés de creditores pedirem garantias ou promessas do rei quando emprestando dinheiro a cidades, o oposto acontecia: as cidades, com suas notas boas de crédito, quem davam suporte ao rei. Quando a República Holandesa começou sua guerra de independência na segunda metade do século XVI, foram as respeitabilidades individuais de cada uma das cidades constituintes que permitiram empréstimos gigantescos para o esforço de guerra. Por si só, o governo da república não poderia tomar emprestado o suficiente.
Empréstimos a reis frequentemente tinham diversos impostos, taxas e negócios como colateral. Isso não é estranho como aparenta porque, até recentemente, a cobrança de impostos era terceirizada (Farm (revenue leasing) - Wikipedia). As propriedades privadas do rei também podiam ter suas receitas revertidas em pagamento a creditores.
Situações extraordinárias exigiam medidas extraordinárias, entretanto. Reis podiam exigir dinheiro de sua nobreza, clero e mercadores. No caso dos mercadores, títulos de nobreza e posições no governo eram oferecidos como moeda de troca.
Os duques de Borgonha — e provavelmente a maioria dos governos — não eram avessos a forçar seus burocratas a tomar empréstimos. Em uma carta a um dos seus generais, certo duque basicamente disse que "se você quiser manter seu trabalho, você tomará um empréstimo igual a várias vezes a sua renda anual e vai mandar a grana para mim imediatamente".
Obviamente as diversas fontes de renda, negócios e impostos que reis podiam usar como garantia dependiam muito de estar vivo, com poder em mãos e de seu sucessor honrar o compromisso. Assim, uma das coisas mais seguras que um credor podia pedir era uma promessa ou um patrimônio móvel. Dois duques de Borgonha, apesar de sempre estarem endividados, eram considerados os príncipes mais ricos de toda a cristandade. Por vezes mostravam a visitantes estrangeiros seu tesouro que frequentemente era um cômodo repleto de ouro e joias. Além de contar vantagem e mostrar sua riqueza, uma forma considerada parte da norma na Idade Média era mostrar a riqueza acumulada: uma riqueza que podia ser penhorada por dinheiro mesmo se todas as outras fontes de riqueza secassem. Até determinado grau, o duque não estava somente mostrando um cômodo repleto de joias, mas sua capacidade de pagar por uma guerra.
Joias são particularmente úteis para isso.
Jóias da coroa borgonhesa:
Uma coroa como as duas acima vale o custo do material (metal e gemas) mais o custo do trabalho e da técnica do artista mais o valor sentimental que representa ao seu dono. Assim, algo como as joias da cora inglesa valem muito mais que seu peso em ouro, prata e pedras preciosas porque havia a garantia que um monarca tentaria comprá-las de volta.
Joias eram uma forma muito boa para monarcas acumularem uma boa densidade de riqueza que poderia ser utilizada no futuro para crédito.