Não me surpreende que ninguém tenha mencionado uma raça de cachorro que todos nós amamos, mas que devemos odiar pelo seu próprio bem: o pug.
Se você é uma pessoa que ama cachorros como eu, quando vê um pug, seu primeiro instinto é dizer “own, ele é tão fofo!”. É verdade, mas o que você não sabe é que, enquanto você está polvilhando Fido com amores e beijos, ele provavelmente está sofrendo. E muito.
A vida do pug é miserável, e eu acho que os pugs são uma raça que nunca deveria ter existido. Mas a nossa peculiar afinidade com o focinho chato e os olhos esbugalhados — resultantes da reprodução seletiva — torna isso possível.
De acordo com este[1] artigo que li, recentemente:
“Os atributos físicos dessa raça internacionalmente popular parecem inseparáveis da própria identidade do pug. No entanto, cada vez mais, alguns desses traços estão sendo reconhecidos como deformidades — ou, como descrito pela Associação Canadense de Medicina Veterinária (CVMA), “transtornos deletérios hereditários”.
Seu rosto plano coloca pugs em um grupo chamado raças braquicefálicas, que inclui bulldogs, shih-tzus e Boston terriers, entre outros. Em 2016, a Associação Veterinária Britânica pediu que as pessoas parassem de comprar cães braquicefálicos em um esforço para reduzir o “sofrimento animal”. Em 2017, veterinários irlandeses aprovaram uma moção pedindo a proibição de toda a publicidade usando animais de rosto achatado. E o nariz arrebitado pode não ser o único problema com pugs: em 2018, um estudo sueco descobriu que cerca de um terço dos pugs não consegue andar corretamente.
Em outras palavras, o que as pessoas podem achar fofo pode na verdade ser cruel — e é um problema que os humanos criaram.
“A maioria das raças que existem agora são feitas pelo homem”, diz Tim Arthur, um veterinário de Ottawa que participa do conselho da CVMA. “Inicialmente, criamos raças de cães porque elas eram funcionais — elas precisavam fazer um trabalho, então construímos um cachorro melhor. Correria mais rápido, caçaria melhor, cheiraria melhor, protegeria melhor. Hoje em dia fazemos cães, até certo ponto, por sua aparência.
O cão pug é uma raça antiga. Através de inúmeras gerações de reprodução seletiva, diz Arthur, pugs e outras raças braquicefálicas tiveram seu maxilar superior empurrado para trás. Esta preferência estética pode produzir uma cascata de efeitos colaterais não intencionais: passagens nasais e gargantas comprimidas, dobras profundas na pele e pálpebras e ductos lacrimais deformados.
Estas características podem resultar em dificuldades para respirar, infecções crônicas na pele, problemas oculares — assim como desconfoto e dor para os animais, e milhares de dólares em cuidados veterinários. Um estudo de 2016 descobriu que quase 70 por cento dos cachorros rastreados tinham pelo menos um distúrbio de saúde ”.
O crânio à direita é um crânio de lobo comparado ao crânio de um pug. Observe o focinho amassado e a mandíbula saliente do pug e compare-o com a do lobo.
Basicamente, os pugs não só tem anormalidades na forma de seu crânio, mas também têm distúrbios genéticos que os tornam suscetíveis a doenças.
Isso não só me entristece, mas o que é pior e ultrajante é que sua criação seletiva é um negócio lucrativo. Sim, você ouviu isso corretamente. As pessoas realmente lucram com o sofrimento deles. Esses criadores cruéis intencionalmente e sem ética criam pugs para preservar suas características distintas a fim de acompanhar a demanda. Filhotes recém-nascidos também morrem ou são mortos se forem muito fracos e, portanto, não puderem ser vendidos. O quão revoltante é isso!
Se você é dono ou dona de um pug, não vou te julgar por isso, mas espero que seu pequeno amigo peludo seja o último que você terá.
Se você quer comprar um pug, peço a você que considere outra raça ou compre um retropug, que parece um pug, mas sem as deformidades.
Não apoie o comércio de pugs. Faça com que sejam extintos pelo bem deles.
Notas de rodapé
[1] https://www.cbc.ca/cbcdocspov/fe...